segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Let it be

Let it be é meu lema a partir de hoje.


A partir de hoje eu não quero mais sofrer com pequenos infartos diários, com a cobrança gritante de fazer o que alguém quer para aparecer, de me sentir forçada a ter foco em algo que para mim não fazia sentido, em ter que engolir todo dia decisões infundadas, em todo dia sentir vazio, em todo dia acordar, abrir os olhos e desejar estar em qualquer outro lugar do universo, menos ter que ir para lá.
Lá é onde o nada acontece, onde suas emoções são estupradas e deturpadas, onde as olheiras são seu crachá, a depressão, a ansiedade, a insônia companheiras diárias, para apenas uma, duas ou três pessoas serem beneficiadas e irem curtir o natal iluminado e cheios de luzes.
E não tem um dia se quer que eu tenha ido feliz, feliz por completo, feliz com aquele sorriso que eu gosto.
Não posso ser hipócrita em dizer que todos os dias também agradecia, colhi meu pão durante 6 anos e alguns meses, mas não podia chegar aos 50 anos e olhar para trás pensando que não vi meu filho crescer, que não pude dar toda atenção ao meu marido, que não podia ter ajudado meus pais, meus irmãos, meus sobrinhos, que afinal, são meus bens mais preciosos.
Preciosidade.
Após o tumor, mesmo que benigno, graças a Deus, repensei muitas coisas deitada nesta cama em que estou.
Se li no livro que a vida nada mais é que uma "fração de segundos na eternidade", o que estou fazendo com meus milésimos? Vomitando no lixo com a ambição de ter.
Algumas coisas não têm preço, não mesmo. E minha saúde, minha família e meus amigos são minha prioridade.
Eu fui forçada a parar. A parar para aprender a respirar. A parar para aprender. Aprender a parar. Reaprender a andar...reaprender a guiar os meus passos.


Gratidão universo.

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